19/08/10

Nocturno

Por toda a noite, num silêncio estranho,
doei á ventania o pensamento...
Fui pela cidade assim - ideia ou vento
a envolver as formas, ser tamanho
a adentrar as trevas onde tenho
além penumbra e luz, o sofrimento.

Chovia um verniz de esquecimento
corria eu, das sombra, o desenho...

- Vida!
Nem o infinito já me assombra,
se ser ideia ou vento, nada ou sombra
me confortas, que me importas?

Reduz-me ás ventanias invernosas,
vem encher-me de noites tenebrosas

E deixa-me brincar nas coisas mortas!

04/02/10

Lá onde foi


















Esvai-se o vão da ponte
que liga a noite ao dia.
Dilui-se o horizonte
e acontece
uma ternura vazia....
Onde era céu e monte
é já de ambos ....nada!
Dói este entardecer...
e lá onde a hora tece...
Apetece
o que foi...

12/01/10

Os teus silêncios
















É no silêncio das palavras, que procuro encontrar as
respostas dos sentidos, das coisas que não entendo.
É no silêncio das palavras, que descanso da tormenta,
que é viver em constante procura.
É no silêncio das palavras, que te amo, na ânsia de
ser amada. Que te quero na esperança de ser querida.
É no silêncio das palavras, talvez daquelas que nunca
direi, que fica a mulher que se esconde.
É no silêncio dessas mesmas palavras que me entrego
com ternura, que me dou por inteiro...

É, por fim, no silêncio das palavras, no murmúrio do mar,
no som de um suspiro, que te quero!

11/01/10

Uma Estrela Cadente...vi-me...vi-te...

                                                                                                                                                                          
Vou ao sabor do vento e o que sinto é como o vento...
não preciso de o ver para o sentir!
Constato assim que o imaginável pode ser conseguido
e, devemos atrever-nos a sonhar!
As palavras estão gastas por entre folhas de cadernos
pelas inúmeras vezes que já foram escritas e, mesmo
assim foram insuficientes para encontrar as respostas
para todas as perguntas.
Demasiado tempo em silêncio fez-me perceber que estou
a perder muito mais do que a ganhar.
Há palavras pelas quais eu não arriscaria a minha vida
sem uma contrapartida suficiente que o justificasse, mas
neste caso já se arrastam muitos dias e muitas noites de
insónia injustificada. Talvez nem te tenhas apercebido
que a minha mente anda constantemente à deriva,
procurando uma decisão...um rumo!
Por isso demoro tanto a optar...dói-me tomar aquela
decisão que implica mudar vidas, tremem-me as mãos
enquanto te comunico uma razão...alienada de tudo e
de todos, quase embriagada pela profusão de tantos
sentimentos, por vezes tão contraditórios.
Se o futuro fosse prevísivel e se conseguíssemos
adivinhar as expressões de revolta de uns e de
satisfação de outros, dirias que mesmo um simples
passo, pode mudar para sempre as nossas vidas!
Por isso é preciso caminhar...porque em cada palavra,
mesmo na mais humilde, há uma alma, um Sonho
cujo único perímetro é não o ter. Mas para cada alma
há também uma palavra!

E as palavras são as missangas dos horizontes
sem fim...lá...onde e quando o
AMOR PERMANECE PARA LÁ DO AMOR!

10/01/10

The Story





Ao escrevê-la, inventei-te, numa escrita
pálida de incertezas certas.
Escrevi uma mão estendida, para poder contar
pelos teus dedos, as vezes que me senti menos só.
Escrevi batalhas, que descansei no teu peito, derrotas
postadas nos teus lábios...
...as histórias repetem-se, as nossas histórias.
I was made for you...

02/09/09

Caminhos...











A um novo rumo chegar











Sentir as amarras
que te prendem no estar












Um bolo de "nós"
no amanhecer











Contemplar a Paz
tão fácil de alcançar














Em teus ramos permanecer
na tua sombra descansar












Minha Primavera a acontecer














Os olhos fechar
por ti me deixo guiar












Até onde nos quiseres levar











Os corpos tímidos a ensaiar
o que poderiam ter sido a Amar











Sentirmo-nos bem alto
e perceber












Que o nosso reflexo
é apenas a vida a acontecer















A ideia iluminada de viver











Num qualquer recanto
à beira-mar










O silêncio fez chegar











Doce melodia a entoar
durante os votos cantar











Esconder-me do teu olhar
Para não ouvires meu pensar










Um sonho aprisionar











Ser livre e voar










No fim da tarde regressar












As saudades matar












Um caminho, um desejo
que se quer percorrer












Os lugares vazios ocupar

01/07/09

Medos
























Porque geramos nós o conflito e nos agitamos,
como se fossemos imortais?
Temos medo de crescer, medo de aprender,
de ver e ouvir, temos medo de dormir, sonhar e acordar.
Temos medo da rejeição, da negação e da aceitação.
Temos medo do mal, do instinto e do desconhecido,
medo das vitórias e das derrotas. Temos medo de
chegar e do partir, de acreditar, medo de sorrir
e até de chorar.
Temos medo da dor, medo da solidão.
Temos medo de dar e receber, medo de nós próprios
e até dos outros.
Temos medo de sentir, temos medo de amar.
Ah...o Amor!
Nunca compreendi que alguém se saciasse de
outro ser...no amor, claro.
Porque o infinito desejo de conhecer exactamemte
as riquezas que o Amor nos traz, de nos ver mudar,
de o vermos envelhecer, onde o mistério e a dignidade
de outrém consiste em oferecer ao EU esse ponto
de apoio, de novas emoções que despontam,
capazes de tocar a parte mais luminosa de nós.
O Amor faz-nos despojar de tudo o que somos,
deixando-nos mais vulneráveis,capaz de uma humildade
que ultrapassa a derrota ou a prece.
Fico fascinada por ver que o Amor se renova na
complexidade dos recursos, das responsabilidades,
das confissões e das frágeis mentiras, dos compromissos
apaixonados, tantos laços que são impossíveis de quebrar
e contudo são tão depressa desfeitos.
Deveríamos de saber abandonar-nos conscientemente
a esta bem-aventurada inconsciência, consentirmos em
ser subtilmente mais fracos, porque o Amor arrasta-nos para
um universo diferente quando o prazer se desenlaça.

Veredicto final:

Quando considero a minha vida, fico apavorada
ao achá-la informe.
A existência dos heróis, aquela que nos contam, é simples:
Aparecem a galope num cavalo branco, lutam destemidos
pela donzela, casam e são felizes para sempre.
A maioria dos homens gosta de resumir a sua vida num
preceito, por vezes uma jactância ou numa lamentação,
quase sempe numa recriminação; a sua memória fabrica-lhes
complacentemente uma existência explicável e clara.
A minha vida tem contornos menos firmes.
Como sucede frequentemente, é talvez o que eu não
fui que a define com maior justeza: boa mulher, mas não
grande mulher; amadora da arte, mas não grande artista;
capaz de pecados, mas não carregada deles.
Ocupei sucessivamente todas as posições extremas,
mas não me mantive nelas; a Vida fez-me sempre deslizar.

Quanto á observação de mim mesma, no meu aspecto
mais profundo, o conhecimento de mim é obscuro, interior,
inexpresso, secreto como uma cumplicidade;
No seu aspecto mais impessoal, tão gelado como as
teorias que eu possa elaborar àcerca do que me rodeia;
emprego o que tenho de inteligência e instinto, para ver de
longe e de mais alto a minha vida, não tenho outros meios,
pois é com estes que construo melhor ou pior, uma ideia
do meu destino de mulher, sem MEDOS,
evitando o único medo; SER SÓ !

30/06/09

Mulher



Eu sinto as lágrimas que se misturam
No teu sangue, os desgostos que respiras,
Despeito, desamor, o pó da seca
Sinfonia do tédio causticante

Dos teus dias...sinto essa alienação
dos teus gestos, a pintura do teu rosto,
a cor das tuas vestes, essa curva
sonora do sorriso um tanto louco,
presidiário da vida desvirtuada,
distorcida, em que de aparência crês

E te absorve, te perde, te desloca...
És o poema mais belo que já li
- Doce criança, misteriosa Coisa
- MULHER !

03/06/09

Descobri o ET que há em mim...


... parti em busca de nada e,
como lhe disse,
encontrei um som;
e é tão, tão raro e especial
encontrar um... e esse som,
que me chegou na
magia e na força das
(suas) palavras, que você
tão bem conhece, ... as que
afinal nos
prendem e assolam,... e
por vezes sufocam....
e que muitas e muitas e
muitas vezes tememos...
e foi ficando perfume;
exagero, poderá pensar;
poderá rir, até, do que vou escrever,
mas acredite
que ainda que estas fossem as nossas últimas palavras,
jamais esqueceria...

e apetece-me dizer ...eyes wide shut...and i see...
Eduardo T

Confissões de Lua...











































Musa minha, és cúmplice de meus
desejos, solidária na minha dor,
testemunha das minhas vitórias
serena nas minhas derrotas.
Contigo falei, ri e chorei quando
a minha confiança acentava em
alicerces de madeira, para se
desmoronarem no pranto da minha
alma. Foste a amiga, aquela que por
momentos a compreensão se esforçou
por ultrapassar a Humanidade.
Contigo admiti que eu, tal como
todos os seres, temos medo dos
nossos demónios quer lhes resistamos,
quer se lhes abandonemos,
esforçamo-nos por aviltar o seu prazer,
afim de lhe tirar o poder quase terrível,
ao que sucumbimos no nosso estranho
mistério em que nos sentimos perdidos.
Ambas concordámos que, de todos os
jogos, o Amor é o unico que perturba
a alma, o único também em que nos
sentimos terrivelmente derrotados.
Ficamos perplexas ao assitirmos às
suas pobres confissões, das frágeis
mentiras, dos compromissos
apaixonados, tantos laços impossíveis
de quebrar e, contudo, tão depressa
desfeitos.
Rimo-nos das contrariedades deste jogo
misterioso, que vai do amor de um corpo
ao amor de uma pessoa e, que nos parece
suficientemente belo para lhe consagrar a
maior parte da minha vida.
Ouvi-te segredar-me:
- As palavras enganam, visto que esta
-prazer-esconde realidades contraditórias,
compõe ao mesmo tempo as noções de
tepidez , doçura, intimidade dos corpos,
no ponto em que o secreto e o sagrado
se encontram e, a violência, agonia e grito,
tal como a corda que o dedo faz vibrar,
não se apercebendo do milagre dos sons.
O amor arrasta-nos para um universo
diferente e, aí tal como noutras coisas,
o prazer consiste em nos abandonarmos
conscientemente a esta bem aventurada
inconsciência, consentimos em ser
subtilmente mais fracos, mais pesados,
mais leves, mais confusos que nós mesmos.
- Onde estás, quero-te a ti antes de mim,
não te vás ainda.
O eclipse foi total.
Eu posso sempre encontrar-me, outras
vezes espanto-me, outras entristeço-me,
neste estricto ajuntamento que me trás
de tão longe a este estreito cantão da
humanidade, que sou eu própria quando
estou contigo.
Sabes amiga, a solidão pode ser fatigante
mesmo quando é sincera; evidências
quase obscenas dos nossos encontros
com o nada, provas de que em cada noite
deixamos de existir.
Maldita insónia, nada és senão a obstinação
maníaca da minha inteligência em
manufacturar pensamentos, séries de
raciocínios, silogismos e definições, face á
minha recusa em abdicar a favor da
divina estupidez dos olhos fechados ou da
sábia loucura dos sonhos.
Lua sábia, ensinaste-me com o teu silêncio
a avaliar a existência humana.
Descobri que só possuo três meios para o
fazer: - O estudo de nós próprios, o mais difícil
e o mais perigoso, mas também o mais fecundo
dos métodos; a observação dos homens, que
na maior parte dos casos fazem tudo para
nos esconder os seus segredos, ou para nos
convencer de que não os têm, pois quase tudo
o que sabemos de outrém é em segunda mão,
e se por acaso um homem se confessar,
defenderá sempre a sua causa; os livros, com
erros particulares de perspectiva que nasce
entre as suas linhas. A palavra escrita ensinou-me
a escutar a voz humana, assim como as atitudes
imóveis das estátuas, me ensinaram a apreciar
os gestos.
Mas entre mim eestes actos de que sou feita,
existe um hiato indefenível e a prova é que sinto
constantemente a necessidade de os pesar, de os
explicar, de dar conta deles a mim mesma.
Existem pessoas com quem convivi, que não
as reconheceria no inferno.
Quanto aos homens, foi a minha
impotência para os defenir, qe me fez por
vezes inclinar para as explicações mágicas,
procurar nos delírios do amor, o que o
senso comum não me dava.
Quando todos os cálculos complicados se
revelam falsos, quando os próprios Poetas
e Filósofos não têm nada mais a dizer-nos,
é desculpável que nos voltemos para a
chilreada fortuita dos pássaros, ou para o
longínquo contrapeso dos astros.
Lua, fictícia amiga, a vida tem coisas boas,
prova que as decisões do esprírito e da
vontade transcendem as circunstãncias.
O verdadeiro lugar do nascimento é aquele
em que, pela primeira vez, se lança um
olhar inteligente sobre nós próprios.

Hoje nasci.
A ti o devo,
Obrigada